FEIRA DE ARTESANATO, EM BALDIM.

FEIRA DE ARTESANATO, EM BALDIM.

sábado, 5 de maio de 2012

MAIO, COROAÇÃO DE NOSSA SENHORA


Coroação de Nossa Senhora em Baldim
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FRAGMENTOS DE MAIO
Da minha infância, as lembranças guardadas do mês de maio não é do frio com ventos cortantes ou das manhãs graciosas, orvalhadas e brancas da geada da madrugada. Nem quando me vestia de anjinho para a coroação de Nossa Senhora, na Igreja de São Bernardo, junto das amiguinhas. O tempo que marcou e ficou gravado na minha memória era a rotina da minha mãe, durante a semana que antecipava o primeiro de maio e o próprio dia...Tudo começava com o sorteio dos "juízes" para cada dia daquele mês, e o Padre Raimundo, conhecedor das habilidosas mãos da minha mãe para o forno e o fogão, "sorteava-a" sempre como a leiloeira ( juíza ) do primeiro dia. E minha mãe nem esperava ser avisada do compromisso, ela já havia assimilado para se, a incumbência de começar a festa de maio. Não podia fazer feio! Aí, nessa semana, era agitação geral em casa, o fogão de lenha não tinha descanso, as chamas sempre acesas para fazer o melhor doce de figo verdinho, da laranja-da-terra, do mamão em pedaços com o desenho de uma estrelinha, doce de leite bem batido e as amêndoas branquinhas para os cartuchos dos anjinhos... Essas eram feitas de amendoim torrado, caramelados em calda de açúcar na peneira sobre as chamas do fogão de lenha; depois eram empacotadas num saquinho em forma de um cone, todo enfeitado de papel-de-seda colorido e encaracolado. Tudo era feito com muito carinho e dedicação, nada podia desandar! Um dia antes da quermesse, ela levantava cedinho, jogava a lenha no forno e ajeitava até virar um braseiro. O forno, "feito por Bené" (de tão bom, o Bené deixou sua marca nele), ardia em chamas....era a vez das quitandas: caçarola italiana, pão-de-ló, fatias e bolos bem enfeitados e recheados, cubú enrolados na  folha de bananeira, deliciosos biscoitos quebra-quebra e os de polvilho, enormes... Lembro-me que ia até a noite a sua lida no forno e eu ficava ali a espreitá-la, além dos biscoitos, é claro! A minha admiração pelo que ela fazia se estendia até o nosso céu super estrelado daquelas noites de outono. Mas, o dia primeiro de maio, ah meu Deus!, quanta correria... seriam os preparativos da “Ceia”, a mais disputada e valiosa do leilão. Bem de madrugadinha, ao som dos sinos, dos fogos de artifícios e da Banda - apelidada de “a furiosa do Sô João de Afonso” - a alvorada começava partindo da igreja e marcando a hora dela recomeçar e preparar a prenda mais cobiçada do leilão. Ela ia lá no quintal, escolhia o melhor frango e matava o coitadinho numa habilidosa esperteza, assava, recheiava e, depois, o enfeitava todo com rodelas  de ovos cozidos e azeitonas em espetinhos coloridos. O arroz era "à grega", a farofa feita com os miúdos do frango, tutu a mineira acompanhado de lingüiça, ovos e couve, a batata sautê bem amanteigada e, para fechar com chave de ouro, um champanhe Cidra Cereser. O cheiro da nossa cozinha daqueles dias, transbordava ainda mais, por toda a vizinhança que ficava assuntando o local. Sábia, ela pegava na cristaleira as suas melhores compoteiras, travessas e bandejas para tornar as iguarias do seu leilão mais bonitas e atraentes. Antes de enchê-las cuidadosamente, anotava num pedaço de esparadrapo o seu nome e colava no fundo delas, o que traduzia para o bom entendedor: “é pra devolver”; senão, nós, a criançada, íamos de casa em casa, recolhendo o vasilhame, seguindo uma lista feita na noite do leilão. Lembro-me que eram tantas iguarias para carregar que mamãe convocava a parentada para ajudar, naquele momento, da chegada hora, e, quando saíamos com as mãos cheias de leilões diversos, era visível no seu rosto um misto de ansiedade, realização e orgulho... iria expor suas obras de arte feitas de guloseimas na frente da igreja, para admiração e desejo de todos. O tio Antônio e o tio Alberto ficavam encarregados das frutas, colhidas na nossa "Vargem". Eles faziam uns grandes e surpreendentes molhos de cana-caiana, pencas de mexericas e laranjas que eram as últimas a serem arrematadas. O arrematante das frutas, geralmente, as distribuía para a criançada disputar numa algazarra danada, causando muitas risadas em todos os presentes, e assim, se encerrava, aos vivas e salvas de palmas do Pe. Raimundo e seus discípulos, aos sons dos sinos, dos fogos de artifícios e da banda, aquele dia dos meus sonhos, sonhados agora... Hoje em dia, quando estou no quintal da minha casa em Baldim, ao lado do forno da minha mãe, olho para o céu estrelado e recordo daquele tempo de tanta entrega, singeleza e crença; então, concluo: era tudo lindo demais para ser para sempre...Dedico estes fragmentos nostálgicos à memoria da minha querida e dedicada mãe, Nelita, e a todas as mães que fizeram e fazem do mês de maio uma festa de contentamentos, pureza e sonhos de infância mais belos...
(Neiva Stelita Ferreira, filha do Sr. João de Afonso Ferreira)



Coroação de Nossa Senhora em São Vicente
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NOSSOS ANJINHOS JÁ TEM NOMES, VEJAM:
Sim, pessoal, essa foto são dos anjinhos de São Vicente, acho que posso reconhecer um pouco deles nao estou muito certa de alguns.  Gisele ( filha de Lourdinha de Alipio ), Mariceli? ( Cesar de Fabricio), Patricia ( Aroldo Rosa), Alexandra ( Adriana de Peleia ), Debora ( Marconi ),  Veronica ( Joao Claudio de Zuta ),  Eliane ( Sideni ), Paula ( Regina de Zuta), Fernanda ( Zenite ), Neta de D. Raimunda Leão, Valdenia ( Zoia), Franciele? ( Preto de Julia ),  Renata? ( Heleno Reis ), Mariceli ( Cesar Fabricio ), Carmem? ( José Vitor ), Laura? ( Giovane ),  Cassia ( Nau Mendes ). Abraços , Raquel. em MAIO, COROAÇÃO DE NOSSA SENHORA.
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