O DIA DAS CRIANÇAS NO BODOCÃO, EM BALDIM.

O DIA DAS CRIANÇAS NO BODOCÃO, EM BALDIM.
ROGERIO DO BODOCÃO FAZ FESTA PARA AS CRIANÇAS DE BALDIM, COM BOLO, PRESENTES E MUITAS BRINCADEIRAS.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O MAIS ANTIGO COMERCIANTE


 Domingos Barbosa, faz parte da paisagem de Baldim
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DOMINGOS BARBOSA NETO
Aproveitando a foto do "Bar do Domingos", quero contar um pouquinho de história desse comerciante, Domingos Barbosa Neto. O mais antigo comerciante de Baldim ainda em atividade. A quem tenho a honra e o orgulho de ter como pai.
Natural do distrito de Tribuna (Tibuna), em Santana do Pirapama, filho de Geraldo Barbosa da Costa e Maria José da Costa (D. Zezé, parteira afamada em Baldim), o mais velho de 4 irmãos ( João Bodocão, Maria Eustáquia e Joaquim Barbosa), veio com seus pais para Baldim ainda rapazinho, no início da década de 1950.
Domingos vivia lá na Tibuna, num terreninho de propriedade deles, com seus pais e vieram após uma desavença que o  Vô Geraldo Barbosa teve com um primo, por causa de divisa de cerca e um tal rego d'água, caso que não vale a pena ser retratado. O Geraldo Barbosa, vendeu tudo a preço de banana pro tal primo e veio pra Baldim. Quem os buscou foi o Mundango (Onésio Silva), que tinha um caminhão. Na chegada em Baldim, meu pai contou que ele tava todo serelepe lá na carroceria, com o vento batendo na cara, achando lindo andar de caminhão e na descida do morro do angico, o caminhão correu muito mesmo, ele gostou, mal sabia ele que o danado tinha era perdido os freios e eles correra um risco que só ficaram sabendo depois que desceram.
Primeiro moraram debaixo de lona porque a casa que haviam comprado ainda não estava terminada ou desocupada ( é praticamente a mesma que existe até hoje na Rua Vitalino Augusto, agora de propriedade do Raimundo Figueiredo - Mundico - e família).
Meu pai, junto com meu avô, eram artesãos, trançavam chicotes, cabrestos e laços de couro de boi e o melhor de tudo trançavam rédeas de crina de cavalo, coisa muito rara hoje em dia, faziam ainda castor de vara de ferrão com cordão encerado com cera de abelha. Mas aqui não acharam muita freguesia pra isso não. Começaram então a comercializar, o it da época era toucinho assado na brasa e cachaça. O toucinho era comprado, uma "banda" de porco capado e era salgado,  ia se cortando os pedaços e assando na brasa dentro de uma lata dessas de 18 litros.
  A cachaça, como não havia alambique em Baldim nessa época, era álcool desdobrado com água e muitos ainda queriam colorido com xarope de groselha, isso funcionava numa bitaca de uma porta só, localizada na Rua José Quirino, onde foi a venda do Quinzota, mais ou menos por ali. E assim foram levando a vida.Virou mascate ou miçangueiro, ia pro Mercadão em Belo Horizonte, a viagem era comprida, e foi melhorando um pouco as condições de vida. Quando trabalhava pros outros era um empregado muito querido. Namorador feito ele só ( é caso que não podemos relatar muito em respeito a D. Celsa, minha mãe).
Certa vez , houve falta de sal na região, ele mais uns amigos, parece-me que Zezé de Sô Jorge, resolveram arriscar e foram ao Rio de Janeiro de caminhão, numa viagem que levou dias, buscar sal de varredura, pra vender aqui em Baldim. O sal de varredura era o que sobrava depois que o sal era retirado nas salinas, lá não tinha valor algum, pois eles foram e compraram um caminhão do tal sal que aqui foi vendido a preço alto, os fazendeiros estavam loucos por causa da falta de sal pro gado. Meu pai me disse que nunca ganhou tanto dinheiro num só negócio.
Toda vida muito esperto, com tino pros negócios, principalmente comércio ( mercadoria que ele comprava era assim: enquanto era dos outros valia quase nada, ninguém procura, ninguém faz caso, mas.... quando ele compra e e ia vender, valia muito, por agora era sua, tava sendo muito procurada e poucas pessoas tinham ou queriam se desfazer).
Assim foi levando a vida, e quando  trabalhou por Sr. José Antonino, este lhe propôs sociedade que foi feita e meu pai passou a ser sócio então da padaria, do restaurante e do hotel da cidade, que eram os únicos da cidade numa época que ninguém vinha para Baldim pra voltar no mesmo dia devido a distância, horários de ônibus, etc. 
Trabalhou muito, e a meu ver construiu um verdadeiro império ( digo isso, porque ele não teve herança material de seus pais, tudo foi fruto de seu suor), pois adquiriu casa própria, comprou fazenda, tornou-se dono do empreendimento e depois adquiriu o imóvel de comércio pra onde se mudou. Apesar de ter tido uma situação muito confortável financeiramente, durante uma época da sua vida, nunca nos criou, eu e meus irmãos com vida de rico, a gente teve o que tinha todas as outras crianças da época (isso foi muito bom porque, quando veio a modernização comercial e meu pai não quis acompanhar, a gente nem viu que o dinheiro tinha diminuído). 
Hoje tá la como diz ele, aquele "bocomorto", no seu butequim, e quando alguém pergunta se ele num tira umas férias, ele responde que vive delas... fingindo de bobo, vai levando, sempre ensinando, "toreando a d.justa" (morte), enquanto Deus quiser.A você meu pai, minha homenagem por tudo que representa.
 ( Fim da 1ª parte) Prof. Tom


MEU PADRINHO DOMINGOS

Ótimo ver a foto do meu padrinho Domingos. Ele é primo da minha mãe Raimunda e grande amigo do meu pai Tião Eletricista, ambos já vivendo em outro patamar. Tenho saudades do tempo de menino que viajava para São Vicente e na parada do ônibus em Baldim sempre ganhava um doce ou um chocolate Diamante Negro ou Sonho de Valsa do padrinho. Que Deus conserve sempre a saúde e a alegria do padrinho Domingos.  Ernane Duarte Nunes


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