FEIRA DE ARTESANATO, EM BALDIM.

FEIRA DE ARTESANATO, EM BALDIM.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

GENTE INTERESSANTE





 Sinhaninha Coronha
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A PRIMEIRA GARI DE BALDIM
A primeira gari de Baldim, certamente foi Sinhaninha Coronha, funcionária da Prefeitura, figura conhecida de todos, que durante anos varreu a praça e as ruas da cidade. Todas as manhãs, lá vinha ela, arrastando sua vassourinha de palha, levantando poeira. Os chinelinhos já gastos de longas caminhadas de anos a fio, a roupa branquinha e limpa, lenço colorido na cabeça e óculos escuros pra se proteger do sol completando o figurino. Sinhaninha tornou-se uma figura interessante não só pelo seu apelido, ou sobrenome, "Coronha", (dizem que seu pai ou marido entalhava na madeira coronhas para espingarda, ou não) como também por ser portadora de um papo (Bócio, carência de iôdo) o que deveria lhe valer o apelido de Sinhaninha Papuda, o que não aconteceu. Quem souber da verdadeira história da Sinhaninha Coronha que conte outra ou confirme esta.(Ione, editora do Blog)
 Tinha que ver a pompa dela em dias festivos, ela tinha peruca de cabelo, e colocava peruca e lenço colorido, ficava fashion, como dizem os jovens hj em dia! Era uma figura notável, e também era apaixonado pelo Dr. Mário, Dentista, dia dele atender em Baldim ela ia varrer a rua de visual caprichado, de peruca, óculos escuros e tudo! Eu me lembro dela... ficava brava quando via alguém jogar qualquer coisa no chão... Uma cena triste que eu guardo na memória foi um dia, em frente ao cartório do Zeca, ela varrendo a rua, encostou um caminhão da roça, cheio de gente... ela varrendo ali perto e o povo começou a jogar bagaço e casca de laranja no chão. Ela veio brava chingando muito... e o povo não a respeitou. Ela esbravejou e começou a catar as cascas, os bagaços e jogar no povo em cima do caminhão. Foi um bate boca danado, o Dondóia, delegado, veio chamar a atenção dela. Ela tava muito nervosa, chingou ele, e ele deu voz de prisão pra ela. Dois soldados a levaram pra cadeia, que era onde é hoje o Banco do Brasil. Essa cena eu nunca consegui apagar da memória, tadinha, ela desmaiou e foi carregada pelos braços... judiação! (Prof. Ton)




 Rua da Igreja - São Vicente
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FERNANDO BARRÃO
Barrão tinha este nome, digo, sobrenome, pra não dizer apelido,  porque parecia um barrão. Barrão, pra quem não sabe é um porco gordo, o que dispensa maiores explicações. Sua aparência era de um pobre que já foi rico. Alto, gordo,  moreno e jovem, vestia terno, calça e paletó,  sempre aberto, sem camisa, mostrando o peito cabeludo atrás da gravata vermelha.  Sapatos sem meia, chapéu preto, cabelos e barba negros,  abundantes  e sujos. Se tomasse banho, vestisse camisa e meias faria até uma boa figura. Mas assim, bonitão, ele não seria o terror da criançada, assustando uma geração inteira. Assustador era quando o Barrão batia na porta das casas pedindo comida e roupa. Caladão, só pedia terno, sapato e gravata vermelha, outra coisa não servia e ninguém se atrevia a dar-lhe outro tipo de figurino. As crianças corriam pra dentro de casa e se escondiam até ele ir embora. O que mais assustava nele era aquela voz alta e rouca  e os bolsos cheios de pedras enormes. Era a diversão e o terror ao mesmo tempo. Era gritar e correr: __ BARRÃO!  A resposta era imediata,  uma série de palavrões que ecoavam na praça inteira e  uma chuva de pedras pra todo lado. Era o sinal para as mães chegarem na porta das casas gritando os filhos pra dentro de casa. Ele subia a rua correndo atrás das crianças, ainda ouço o barulho que ele fazia correndo  rua acima, parando numa freiada , pra juntar mais pedras, e aquele sapatão derrapando no cascalho solto. Geralmente isso acontecia depois da aula, com a praça cheia de crianças saindo da escola. Em poucos minutos a praça estava vazia e Barrão ficava lá, sozinho, resmungando os últimos palavrões, só pra ele mesmo. A última cena era ele carregando os bolsos novamente de pedras para a próxima batalha. Nunca vi nem ouvi contar  que o Barrão tivesse acertado pedra em alguma criança. Ou ele tinha péssima pontaria ou era apenas mais um doido de jogar pedra, do bem. (Ione, editora do Blog) 


Esta é a nossa Desinha
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COMUNIDADE NO ORKUT
"Eu conheço a Desinha" este é o nome da Comunidade da Desinha no Orkut, desde fevereiro de 2006, com 127 membros. Apesar das brincadeiras e a zuação dos membros da Comunidade eles falam da "Dê" de uma maneira carinhosa e contam as paradas divertidas dela. A Desinha pertence a uma família tradicional da cidade de Baldim e é querida e respeitada pelos parentes e amigos.Pra quem não conhece, a Desinha é uma figura interessante, já idosa, (80) mas muito esperta e descontraída. Ela usa roupas estampadas e longas, laços coloridos e flores na cabeça e cabelos pintados de vermelho. Está sempre maquiada, como se fosse pra uma festa, sombra nos olhos, batom e esmalte vermelhos, completam o figurino. Se alguém na cidade pintar os cabelos de vermelho...já leva o apelido de "Desinha". Ela mora na Praça Central de Baldim, tem um Bar na entrada da sua casa e é ela quem toma conta de tudo. É por aí que começa a confusão, ou seja, a maneira como ela administra seus negócios. Pra início de conversa, só entra no Bar quem ela deixa entrar e põe pra correr quem ela quer também. A brincadeira da galera é apostar quem tem coragem de entrar no Bar da Desinha e pedir um copo d'água... ninguém se atreve, haja pernas pra correr depois. E ela chama a Polícia dizendo que tem maconheiro na porta do Bar. As vêzes, ela mesma resolve o problema, quando a galera fica de zuação, ela joga pimenta neles pra espantar a freguesia. Um estranho entrou lá e educadamente, pediu a ela : - Ô Tia a senhora tem cerveja Skol?" e ela brava: -Tia?... só se eu fosse irmã da pqp... e vai saindo daqui que você não é meu freguês. O cara saiu correndo. Ela tem uma TV no Bar, com quem conversa o dia todo e responde a todos os cumprimentos dos apresentadores. Quando tem futebol ou os últimos capítulos de uma novela ela mantém um sapo na porta do Bar e com uma vassoura ela joga o dito cujo na freguesia pra ninguém entrar pra ver TV. Ela proíbe estacionar carro na porta do seu Bar, apesar de não haver no local nenhuma proibição. Quem já conhece a Desinha passa direto. Diversão garantida é quando algum estranho aparece na cidade e se atreve a estacionar lá. Passa o maior vexame com o escândalo que ela dá e pra não pagar mais mico, retira o carro. Agora, brincadeira sem graça foi quando tentaram roubar o dinheiro dela. Não deu outra, ela pôs a boca no mundo:
__ Roubaram o meu dinheiro! levaram até as pratinhas!Ela chamou a Polícia, disse o nome do ladrão e a polícia pegou o cara.A pergunta é: Quando a Desinha fatura no seu Bar, se ela espanta a freguesia?Quando falta cerveja na cidade e ela tem a mais geladinha, com direito a pastel de mixido, mas ela só vende pra quem ela quer... essa é a nossa Desinha. (Ione, editora do Blog)

 Praça de Baldim
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ZÉ PIRAPAMA
A Festa de agosto era a época em que o Zé Pirapama, vinha para Baldim, ele chegava no início do mês de agosto e só ia embora depois que passasse a Festa. abaixo eu conto um pouco do que eu fiquei sabendo sobre ele. Wellington Geraldo Barbosa Zé Pirapama Quem não o conheceu, perdeu a bela chance de ter vivido com uma dessas figuras lendárias, que serviam para mães acalmarem crianças levadas e inquietas. Era um homem de baixa estatura, ne-gro, uma barriga um tanto saliente, andarilho, pedinte, sempre com um saco de linhagem às costas onde carregava suas matutagens. Era mo-rador de Santana do Pirapama, daí o codinome Zé Pirapama. Não perdia um Jubileu do mês de Agosto em Baldim, sempre vinha para cá, ainda na novena, dormia em quarto dos fundos junto à garage na casa de meu pai, toda noite era a mesma campanha, tínhamos, eu, meus irmãos e às vezes um camarada (como chamávamos os empregados que trabalhavam na roça) , que acender a fogueirinha dentro do quarto onde ele dormia. Quando por algum motivo a fo-gueira demorava a sair, e às vezes a gente demorava a acender só pra ver a reação dele, ele ficava todo nervoso, mordia as mãos e soltava uma série de balbucios difíceis de ser decifrados, mas, que com certeza pela sonoridade e agitação eram xingamentos dos “brabos”. Andava durante todo o dia pelas ruas e comércios, pe-dindo esmolas, acompanhava as procissões, ia às missas. Mas o Zé Pirapama era aquela figura, nunca abandonava o saco de matutagem, vi-via mastigando como se fosse um ruminante. Por causa disso havia a famosa história a seu respeito, de que ele comia carvão, mastigava era carvão o tempo todo. Por quê? Quando criança, era ele quem tinha que levar o almoço para o pai que trabalhava na roça, e um dia ele resolveu parar durante o caminho até o tal roçado, onde o pai lavrava a terra e , abrindo a marmita , roubou os torresmos, que representavam a única porção de carne que a família comeria naquele dia. Tentando disfarçar o mal feito colocou no lugar dos torresmos, alguns pedacinhos de carvão. O pai sendo muito violento, ao chegar em casa deu uma surra na pobre mulher, a quem julgava ter cometido tamanha ousadia. A mãe que apanhara inocente, mas com o coração cheio de mágoa, haveria dito que o malfeitor, culpado da surra que levara, haveria de pagar , comendo carvão o resto de sua vida. Daí a explicação, para o fato do pobrezinho do Zé Pirapama, viver mastigando e sempre uma coisa escura, que nunca soube , verdadeiramente se era fumo, ou torresmo, ou até mesmo o danado do carvão. Mas, essa história servia mesmo era para ilustrar ainda mais o imaginário das crianças de minha época. “Não se pode mentir”, “Não pode desobecer”, “Tem que se ter muito cuidado com que podemos fazer à mamãe”, “Praga de mãe, pega” ! Zé Pirapama, de uma forma ou de outra, ajudou a educar. Era uma criatura doce, apesar da aparência incomum, era uma boa alma que nunca quis fazer mal a ninguém, nem mesmo quando em seus ataques de braveza, ele agredia. Quando ficava bravo , agredia a si próprio, mordendo as mãos. O dia de seu falecimento em Santana do Pirapama, foi um dia memorável, a cidade toda parou para prestar a última homenagem ao mais simples dos cidadãos, todo o comércio fechou portas e grande parte da população fez questão de acompanhar o Zé até a última morada. (Prof. Ton)

HISTÓRIA CONTADA
Anderson Lima disse: Olá! Sr. Wellington, é história ou estória? Só quero te dizer que é muito bonita a estória de "Zé Pirapama". Eu me lembro que quando minha mãe era viva, ela contava esta estória pra mim e meus irmãos. Ela era do Distrito de Amanda. Belas recordações...lendo estas estórias chego até me emocionar, lembrando da falecida, que Deus a tenha.

INFANCIA
Cassiane disse... Olá! Adorei ler sobre esse causo do Zé Pirapama, realmente me remeteu a infância, minha mãe sempre contava... Entrei hoje pela primeira vez no Blog e adorei! Sou neta do Vovô Culano que era dono da Serraria que mais tarde foi do Tio Lúcio Rosa e hoje é um mercado. Senti falta de algum caso do meu outro avô, o Vovô Mundango, que era uma super figura de Baldim, merece lembranças... Mesmo sendo ausente, amo Baldim! Abraços.
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