FEIRA DE ARTESANATO, EM BALDIM.

FEIRA DE ARTESANATO, EM BALDIM.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

CAUSOS DO OUTRO MUNDO


 O JAIME
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O CAUSO DO JAIME

Tudo aconteceu em uma manhã, quando eu estava indo para a escola. Não podia me atrasar pois tinha aula de D. Vera Gandini e D. Glória Bernadete, era o antigo Ginásio, E.E. José Ribeiro da Silva, lá perto do Buteco do Souza. Ao passar pela porta do Hospital São Bernardo, naqueles bons tempos, era o Hospital Regional, que salvava muitas vidas, em frente a Matriz, o conhecido Jaime Silva, a quem muita gente, maldosamente, ainda chama de Jaime Bezerro, falo que maldosamente, pois o apelido para o Jaime é sinônimo de morte, tamanha a raiva que o mesmo sente dele.
 Mas, voltemos ao caso, ao subir para ir para o Ginásio, me deparei com a cena, o Jaime com algumas escoriações pelo braço, a roupa empoeirada, de alguém que levara uma bruta queda, aos “berros” (sem nenhuma menção ao apelido), pedia uma guia médica que ele tinha que ser internado no Gauba Veloso, Hospital para Loucos na época, pois “Mamãe respondeu!” , ele insistia na necessidade de sua internação e repetia a frase sem cessar:
 “ – Mamãe respondeu, Mamãe respondeu!”, sua mãe já havia falecido há alguns meses. A cena era cômica e ao mesmo tempo preocupante.
 E só fomos saber o que realmente havia acontecido alguns dias depois. O fato foi que desde a morte da sua mãe, o Jaime, todos os dias , fazia chuva ou fazia sol, logo que amanhecia, ele se dirigia ao cemitério e cuidadosamente, abria o portão , ia até a sepultura de sua mãe, lhe pedia a benção, e batia um longo papo com a morta, falava sobre seus irmãos, sobre as maldades que o pai ainda fazia com ele, reclamava da vida, da falta que sentia dela e assim por diante. Após uma meia hora de monólogo, ele novamente pedia a benção à sua mãezinha morta se despedia e ia embora. E o ritual do "A bença, mãe!" se repetia ao longo do tempo, diariamente. O coveiro da época, Sr. Juvenal, certo dia, estava cuidando de uma sepultura, pouco acima do lugar onde a D. Andrelina, a mãe do Jaime, havia sido sepultada, e ao perceber que o Jaime entrava no cemitério abaixou-se e permaneceu escondido perto do local. 
Quando o Jaime pronunciou a célebre frase:
 “- A bença, Mãe!”, de onde estava , Seu Juvenal, disfarçando a voz, respondeu:
- Deus te abençoe, meu filho!. 
A confusão estava armada, o Jaime saiu num carreirão, não deu conta de abrir o portão do cemitério, teve que pular o muro e saiu em disparada, rumo ao hospital pedindo para ser internado, pois estava doido, porque havia escutado a sua mãe mortinha responder. E foi assim que fiquei sabendo o porque da confusão daquele dia em que estava indo pra aula.E o melhor, foi que com esse susto nunca mais o Jaime foi lá pedir a benção a sua mãezinha.(Ton)





 Cemitério - Baldim
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O CAUSO DA APOSTA
Alceu e Otaviano eram amigos, formavam uma dupla inseparável e já faziam parte da paisagem da praça de Baldim. Alceu Nogueira Marques era funcionário do IBGE e Otaviano era comerciante. Eram intelectuais, bons leitores, boa prosa, solteirões e ambos sofriam de insônia o que os levava à praça da cidade todas as noites pra esperar o sono chegar. Naquela época, sem televisão, sem cinemasó havia 2 opções, um bom livro ou uma boa prosa, depois da visita à namorada, é claro. Altas horas, lá estavam eles de prosa. Uns e outros ficavam ali, sapeando, sem argumentos para contestar os altos papos. O Niquinha, de João da Cruz, era presença constante, e a vítima das brincadeiras. Noite de lua cheia, então, era fatal,o assunto era assombração e provocação. O desafio daquela noite, valendo uns trocados, era ir ao cemitério e trazer um osso de defunto. Sempre aparecia algum ossinho sobre o cascalhão grosso do cemitério. Lá foi o Niquinha, de pernas bambas, mas foi. Conforme o combinado, já estavam lá no cemitério, escondidos do lado de fora, os dois amigos do Alceu e Otaviano, pra assustar o Niquinha. Só se ouvia pisadas e derrapadas do Niquinha no cascalho, quando ele parava pra ver se era um osso mesmo, o silêncio era assustador. Quando ele tocou no primeiro osso que encontrou uma voz grossa vinda do outro lado do muro, disse:
__ Larga isso aí que é meu! 
Apavorado ele procurou outro osso e outra voz dizia a mesma coisa:
__ Larga, que esse é meu! 
Já se borrando todo, ele pegou o osso e saiu na disparada rua abaixo.
Chegou na praça jogou o osso no chão e gaguejando disse:
__ Me dá meu dinheiro que o dono do osso tá vindo atrás de mim. (Maria José Torres)


SEXTA-FEIRA DA QUARESMA
Essa eu ouvi na casa do Compadre Geraldo Lemos, quem contou foi a comadre Célia, ela reunia os filhos e mais a meninada que sempre se fazia presente na sua casa e contava histórias, fazia “cobu” , que era um bolo de fubá envolto em folha de bananeira, ou cascava cana e contava histórias que a gente nunca se cansava de ouvir.A história era da época da Quaresma, segundo comadre Célia, em toda noite de sexta-feira da Quaresma, o “espírito ruim”, “o pemba”, se encarnava numa porca preta e rondava os arredores das casas da roça. A porca dava sete voltas em torno da casa, roncava, fazia alvoroço, assustava as criações que estivessem por perto, e se nesse percorrer encontrasse alguém da casa, que estivesse distraído ou fosse verificar qual animal estava fazendo barulho era tragédia na certa, a porca matava a dentadas o pobre cristão que se atrevera a passar em seu caminho. Caso não encontrasse ninguém em seu caminho, ou se o dono da casa rezasse o Credo em Cruz, a porca seguia adiante e ia assombrar outra morada.Se é verdade, eu nunca soube, mas também nunca vou me atrever a sair de casa em noite de Quaresma, se ouvir grunhidos ao redor de casa.(Prof. Ton)

A MULA SEM CABEÇA
Outra forte da época da Quaresma era a Mula-sem-cabeça e o Lobisomem, esses dois aprontaram, no alto da estrada que dava acesso a Jequitibá, no alto do Patrimônio, e também no Cerradão. Certa vez, até descobriram quem era a pobre coitada que se transformava em Mula-sem-cabeça. Era uma senhora casada que já tinha filho. A pobre carregava o pesado fardo de virar Mula-sem-cabeça, por culpa de seus pais, que não haviam respeitado o dia santo da Sexta-Feira da Paixão, concebendo a pobre nesse dia. Bastou apenas que alguém descobrisse a identidade da Mula-sem-cabeça, que antes de se completar o sétimo dia da descoberta a mulher foi liberta desse jugo, mas pagando com a vida a liberdade. Como descobriram? Tudo aconteceu numa noite, em que a mulher foi cuidar de seu filhinho, uma criancinha de poucos meses, que dormia em outro quarto, e não retornando ao leito conjugal, e a criança chorando muito, foi seu marido verificar o que estava acontecendo. Qual não foi a surpresa do homem chegando ao quarto e encontrando seu filhinho sozinho. Aflito, preocupado, saiu à procura de sua amada. Lamparina acesa na mão, pensativo, o que poderia estar acontecendo?! O pobre homem chegou até duvidar da honestidade da esposa. Mais adiante viu pedaços de pano, eram restos da roupa da mulher querida, seu coração sofreu mais, fora ela agredida? Pensou buscar ajuda? Onde? Quando passou por ele a assombração : A Mula-sem-cabeça, um tropel ensurdecedor. Preocupado com o filhinho que ficara sozinho, o homem voltou para a casa, já era madrugada. Encontrou o bebê sossegado e agarrando-o, em meio a lágrimas, cuidando para não acordar a criança, cochilou. Mas, no raiar do dia, novamente saiu à procura e bem perto da casa, debaixo de uma grande árvore, encontrou ainda desacordada a esposa e logo ligou os fatos, descobrindo que era ela que se transformava em Mula-sem-cabeça. Antes do sétimo dia da descoberta, a esposa amofinou-se e caindo doente, morreu.(Prof. Ton)
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